A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT) divulgou nota contra a decisão do Governo do Estado de São Paulo de fazer o Museu da Gastronomia no Palacete Franco de Mello, na Avenida Paulista. O local tinha sido prometido para ser novo endereço do Museu da Diversidade Sexual.
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O texto foi motivado pelo anúncio recente da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de chamamento público para conceder o imóvel à iniciativa privada e com aviso de que ali será instalado instituição cultural voltada à gastronomia.
O imóvel, conhecido como Casarão da Paulista, foi anunciado para abrigar o museu LGBT pelo então governador Geraldo Alckmin na coletiva de imprensa da Parada LGBT de São Paulo em 2014.
Cinco anos depois, o projeto não havia saído do papel e foi cancelado pelo governador João Doria (PSDB).
Na ocasião, em setembro de 2019, o Governo do Estado afirmou que o espaço seria destinado para "caráter cultural, com possibilidade de uso comercial concomitante".
O Museu da Diversidade está desde 2012 na estação República do metrô.
Na nota pública, a APOLGBT alega que Doria não realiza compromisso assumido por seu antecessor.
"Ele não está respeitando uma liderança partidária importante como também os compromissos de seu partido PSDB com a comunidade LGBT+", é um trecho.
A ONG reconhece a importância do restauro do endereço, mas aponta que "ter o Museu da Diversidade Sexual lá é garantir a preservação da história e memória do movimento LGBT+, lutar e resistir para que não seja destinado a outra finalidade é um direito nosso e dever do Estado", finaliza.
Ativistas LGBT promovem ação na página do Sistema Estadual de Museus de São Paulo (Sisem-SP) para pedir explicações. A publicação é esta abaixo:
O Casarão da Paulista fica localizado no número 1.919 da avenida, foi construído em 1905 e é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Nas últimas décadas, o imóvel abrigou feiras alternativas e bazares.
A ideia era que fosse construído um prédio de cinco andares junto ao terreno do casarão. O novo museu contaria com biblioteca, auditório para 200 pessoas, restaurante, café, loja de souvenires e espaço para duas exposições simultâneas - uma de longa duração e outra temporária.